sábado, 9 de outubro de 2010

Lembranças do bairro do trem

Praça da Conceição no bairro do Trem 1989

Bairro do trem lembranças de infância, época que brincávamos na rua, de pira-pega, bandeirinha...quantas lembranças ainda estão presentes nesse bairro querido. Algo que vem à memória sempre, no amanhecer seja onde for, todos os dias pelas manhãs ouvia o barulho do motor dos barcos que chegavam à orla do Santa Inês um bairro onde podemos comtemplar o amanhecer com a brisa do rio amazonas. Lembranças de época de estudante da escola Castelo Branco, onde estudei da 5ª a 8ª série. Eu e meus colegas íamos sempre andar descalços na praia e apreciar as aventuras que criávamos descobrindo pontes, que na época existiam nos bairro Santa Inês, e explorávamos toda a orla do quebra-mar até a praia do araxá. Essa era uma maneira de matar aulas, algumas vezes, explorando nosso ambiente, sem álcool ou outro qualquer meio de burlar o tempo e os problemas. Tínhamos apenas a vontade de viver livre em uma aventura sadia e de grandes momentos partilhados de risos e confidências.
Ao chegar a Macapá fui ao encontro dos amigos e vizinhos, quanta história pra contar. Em uma dessas conversas com uma amiga de infância, que hoje é professora da escola municipal Amapá do bairro do Trem, fui convidada à participar de um projeto chamado “Folcloreando” organizado pelos professores e alunos. Ás 17h00 eu estava presente e fiz uma visita na escola, fazendo fotos e vídeos, registrando um pouco de tudo. Percebi que durante muito tempo quase nada mudou. Um novo espaço para sala de aula foi criado, uma sala de informática, ginásio poliesportivo e a implantação de centrais de ar-condicionado, contrastam com a estrutura mal conservada, telhados desgastado pelo tempo, cadeiras e mesas quebradas e as que restam encontram-se riscadas e sem manutenção, colocando em risco o conforto dos alunos.
Alunos e professores organizando suas apresentações
De Escola Municipal Amapá

Fiquei apreensiva para ver se os alunos que iriam apresentar seus trabalhos estavam realmente motivados, pois a escola não tinha aspecto de dar uma grande apresentação. A amostra do projeto Folcloreando 2010 seria no ginásio e os professores e alunos chegavam cada um com seus materiais de trabalho. Alguns com seus pais, amigos, irmãos e vizinhos. Aproximei-me dos grupos e comecei a fazer pergunta sobre o projeto, a escola e a vontade de dar continuidade a tudo que eles criaram. Meu primeiro contato foi com uma aluna e sua mãe que estavam esperando o inicio do evento, perguntei o que achavam do projeto e sobre o dia-a-dia na escola, o aprendizado. Elas responderam “A escola é boa, tem ar-condicionado”, esse foi o primeiro ponto que fez com que sua filha viesse estudar na escola. E continuou “Esse projeto elaborado pelos professores deu outra motivação aos alunos de saírem das salas de aula e começarem a aprender na pratica e se expressarem sobre diversos temas como: música, dança, cultura, história e a valorização de nossa biodiversidade”, mas que existiam problemas  como “falta de merenda escolar e de recursos para dar continuidade nos projetos da escola”. Notei que em certos momentos alguns me olhavam curiosos e se perguntavam “quem seria a pessoa com máquina fotográfica e filmadora?”. Senti um grande prazer de estar neste momento em meio a todos que esperavam o começo das Apresentações!!!
Na expectativa do começo, continuei a conversar com os professores e falei sobre a possibilidade de parcerias com as universidades e faculdades da cidade em ajudar os alunos e professores durante o ano escolar. Isso seria um grande apoio, e teria desenvolvimento em mão-dupla. De um lado os universitários que teriam seu percurso profissional mais desenvolvido com a prática dentro da sociedade e a comunidade escolar em receber o conhecimento dos futuros profissionais a favor do desenvolvimento de toda comunidade. A professora me respondeu “existem universitários que fazem seus estágios e alguns já estão trabalhando na escola, mas infelizmente não existe um projeto contínuo e são insuficientes para atender à necessidade da demanda escolar”. 

Osmar Júnior e os jovens estudantes da Escola Amapá
De Escola Municipal Amapá
Durante o desenrolar do evento aguardávamos anciosamente um convidade especial, o canto e compositor amapaense OSMAR JUNIOR que iria fazer sua apresentação cantando a música "Igarapé das Mulheres". Foi um presente para mim, recém-chegada à Macapá, e  encontrar meu amigo Osmar ajudando neste resgate cultural de nossa terra, com suas músicas que encantam e apresentam nossa região com a verdadeira alma do povo da floresta.
A cada encontro como este, me torno uma “vendedora de sonhos”, pois já venho sendo testemunhas de muitos sonhos que tentam se tornar realidade, mas falta alguém que realmente se importe e comece a realizá-los. Por isso ando com meu material sempre, máquina fotográfica e filmadora e tento perpetuar esses sonhos para que um dia as pessoas encontrem em sites e blogs essas histórias verdadeiras, de brasileiros que querem fazer parte realmente do desenvolvimento do país.

A Francophonie no meio do mundo

No dia 1° de setembro professores e alunos do curso de francês do Centro Cultural Amapaense estiveram no #lecafebistrot ,localizado ...