sábado, 6 de novembro de 2010

Montanha da Estrela

Pé na trilha em direção a montanha da estrela
Uma magnífica aventura em 2005 em um dos mais bonitos pontos de observação da floresta nas terras indígenas do Oiapoque, a Montanha da Estrela (BR 156 km70). Um convite para uma visita a aldeia com direito de escalar a estrela em companhia do Sr. Coaracy Barbosa (FUNAI e vereador de Oiapoque), do vice-prefeito Wilson e Carlos Santa Rosa (RURAP Oiapoque). O acesso aos visitantes é proibido, sendo possível a visita somente com autorização da FUNAI.
Os jovens guias da aldeia Estela,  protetores de uma biodiversidade preciosa


Nossos guias eram cinco jovens moradores da Aldeia que nos conduziram com um verdadeiro senso de conhecimento da floresta . 
Na aldeia existia posto de vigilância, escola e enfermaria. Os postos de vigilância da FUNAI dispõem de uma pequena infraestrutura que conta com uma sede, aparelho de radiofonia e um funcionário contratado como chefe de posto. 
A cada trilha os guias nos explicavam sobre a fauna e a flora, as pegadas de onça e as trilhas que poderíamos visitar. Foram horas de caminhada pela densa floresta até o pé da montanha, que tem cerca de 500 m de altura, a cada passo novas descobertas. Os jovens guias conheciam cada ponto, cada canto de pássaro e os perigos que poderíamos enfrentar em mata densamente fechada. Uma verdadeira aula de biodiversidade e sobrevivência na selva amazônica.
Depois de horas de marcha chegamos ao pé da montanha e os mais experientes nos explicaram como proceder durante a subida, pois a montanha tinha lugares de difícil acesso e seria preciso, em certos locais, de corda para poder alcançar o ponto mais alto da montanha. 
Pela primeira vez eu iria escalar uma montanha. Minha preparação foi rápida, com instruções dos guias da aldeia e cuidados na hora de escalar o paredão da montanha, pois a cada avanço as dificuldades de acesso diminuíam. Observando da base da montanha tudo parece maravilhoso e fácil o acesso, mas ao chegar à metade da subida percebemos que somente alguns minutos de aulas de escalada não foram o suficiente. Faltando uns 26 metros para chegarmos ao ponto mais alto, tivemos que utilizar o recurso da corda. Os guias rapidamente alcançaram o ponto mais alto e ajudavam os outros integrantes dessa aventura marcante. Pensei em desistir, não me achava preparada para alcançar tal ponto da montanha. Sr. Coaracy me encorajou dizendo “Você precisa continuar, já passamos a maior parte da escalada, não desista depois de tão grande esforço para chegar até aqui, além de ter oportunidade de presenciar apreciar uma maravilhosa vista de um Brasil que poucos conhecem”.


Renovei minhas forças e continuei até nosso objetivo. E ao chegarmos, um alívio tomou conta de todos. A paisagem maravilhosa, o imenso mar verde de todas as tonalidades tomava conta do horizonte. Por minutos permitimo-nos de sonhar e fazer daquele momento algo eterno em nossas lembranças. Não sabíamos se teríamos tal grande oportunidade de contemplar novamente de tão alto, nossa maravilhosa biodiversidade.
A paz nos contagiou e ficamos enfeitiçados pela alma da floresta para sempre. Essa expedição marcou para sempre nossas vidas, para mim por ter me dado coragem de superar meus medos e os obstáculos que muitas vezes necessitam de tempo e reflexão. 
Todos aprenderam com essa experiência e voltamos pra casa com um maior sentimento de respeito e integração ao meio ambiente. Foi como se a subida da montanha da Estrela tenha sido um ritual que a mãe natureza nos proporcionou, através de jovens guias que fazem de suas trilhas diárias uma escola onde há busca constante dos segredos da floresta.
Obrigada a todos que me proporcionaram mais essa aventura: Sr. Coaracy, índio da Aldeia Kumarumã, vereador do Oiapoque e funcionário da FUNAI pelo encorajamento durante todo o percurso, pelo conhecimento sobre os povos indígenas que aprendemos durante todo o percurso de subida da montanha e pela autorização de acesso a área indígena. Aos jovens guias da Aldeia Estrela que sem eles nós estaríamos perdidos na imensidão verde da floresta até hoje ;). A Dinha e o Carlos do Rurap, o vice-prefeito Wilsinho da cidade de Oiapoque (2005).

Naramazonie

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